adiante, o grande círculo. o grande círculo. o grande círculo. este grande caldeirão de paz. eu nunca tive paz. nunca fui capaz de ter paz. nunca fui capaz de ter saúde. agora. agora. às vezes, essa onda abraça o corpo e, às vezes, o mar é mais do que essa brisa marítma. às vezes, eu corro da onda. eu corro da onda desde meu primeiro dia. o primeiro dia que não me lembro. este mar infinito de árvores, areia, pedra, terra, terra, água, ar, fogo, animais. esse mar revolto que entra pela boca e que lava. lava. esse mar de fogo. esse mar que me aterroriza a alma de criança medrosa. esse mar que não é o que. às vezes, eu olho o mar. às vezes, eu sou a poeira que, longe, suja pequenas poças de água. as mãos geladas. às vezes, não é. belo corcéu de vícios. corcéu glorioso que carrega até a próxima estação. um corpo entre outros. gloriosa companhia amarga. retiro na ilha dos mortos. este corcéu venturoso deixa seus pêlos grudados no estômago. eles entram, eles andam, eles são. às vezes, eu não quero ser um pêlo sujo na próxima estação. conversei com os homens da cidade, consultei aos grandes sábios. desse mundo que eu não quero mais. dessa beleza que eu não suporto mais. dessa onda torta que traga e leva aos que não têm cabelo. eu não suporto mais. eu não suporto. o mago na porta da cidade avisou os riscos que eu poderia correr. com escárnio, eu pareço inteligente. eu li muitos livros, não é mesmo? eu falo muito bem, não é mesmo? meu raciocínio é rápido e eu argumento muito bem. eu não. eu não quero mais. eu não posso. eu não suporto. eu ajoelho na frente deste homem velho. o maravilhoso ódio da criatura racional aponta. aponta e diz “fanático”. ódio. cães furiosos se despedaçando do lado de fora. cães de pêlos. eu não.
Junho 3, 2009
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