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Junho 28, 2009

Chovia, mas não chovia.

Arquivado em: TEXTOS — Renato Ciacci @ 8:44 pm

- …uma pintura do Magritte, você viu?

- Sim.

- Frio demais. Gelado.

- Me parece decadente, caído à filosofia analítica: fria, burra e amargurada.

- É?

- Sim, à maneira de um Wittgenstein, um Russel…

- Vá à merda.

- Tenha calma, preste atenção: Magritte é um gênio. Assim como Russel e Wittgenstein.

- Só consigo entender esse “paralelo” se você estiver falando da meticulosidade, da frieza, da distância.

- Todos os três trabalham a Lógica. Magritte pensa pela pintura, ao contrário dos outros dois. E trabalha em uma inversão da Lógica, o que não deixa de ser lógico. Não propõe um jogo de multiplicidades.

- Certo, agora eu entendi o que quis dizer.

- O que você acha disso?

- Bem, é algo bastante óbvio: Magritte inverte a lógica mantendo-se lógico e lúcido. E o faz com frieza e meticulosidade. Witt e Russel trabalham a lógica com semelhante frieza e meticulosidade, porém propondo algo como “uma lógica dentro da lógica”. Diferente de Dalí, Miró ou até mesmo Chirico, Magritte não propõe nenhuma explosão, nenhuma multiplicidade.

- Sim, é por isso que tenho um pé atrás com Magritte. Claro, é um gênio. Indiscutível. Mas eu vejo genialidade não só na construção, veja bem, mas também nos caminhos que são traçados através desta genialidade. E, neste sentido, Magritte traça um caminho fechado às desrazões. É uma espécie de Kant: extremamente genial, mas um gênio que não conseguiu, no final das contas, contornar tudo.

- Bem, eu tenho uma queda por isso, você sabe.

- Uma queda pela queda, entendo.

- Exato.

- Mas aí existe outro jogo que considero particularmente interessante… Magritte é pintor, filósofo que pinta. Não escreve. Russel e Witt escreviam, Kant também. Isto é, por mais que Magritte trabalhe com uma filosofia sedentária, ele não a joga em um plano de exatidão, que é o propósito do conceito escrito. Assim a obra dele é aberta, quero dizer, pode-se ver, em sua obra, a desrazão pulsante. E sem que ele parta desta proposta.

- Excelente, perfeito.

- Você também ama Kant?

- Amo sua mamãe.

Magritte.

Arquivado em: IMAGENS — Renato Ciacci @ 5:36 am

Magritte, um absurdo.

Junho 26, 2009

Rascunho.

Arquivado em: TEXTOS — Renato Ciacci @ 2:22 am

/// o maço de cigarros ao canto da mesa o drama quantas vozes em minha cabeça estou sentado em um banco de praça e estou sentado em um banco de praça e penso em como sou idiota penso em como fiz sempre o pior a mim aos outros penso em como sou idiota penso em como sou idiota e sigo a pensar em como sou idiota sim um idiota estranho um idiota educado penso em como sou idiota e estou sentado em um banco de praça o maço de cigarros ao canto da mesa o poema quantas vozes quantas vozes quantas vozes em minha cabeça faz frio estou sentado em um banco de praça penso em como sou idiota sempre a remoer as velhas vulgaridades os mesmos desencontros sou culpado sou um idiota penso em minha culpa penso em como sou idiota meus ombros estão doendo meu estômago em cambalhotas e o maço de cigarros ao canto da mesa a promessa quantas vozes em minha cabeça quantas vozes meus sapatos são novos meus olhos estão ardendo eu não choro cigarros o cheiro do café penso em como sou idiota não choro lembranças estranhas penso em escrever um poema penso em como sou idiota idiota o maço o maço o maço de cigarros a mesa o maço de cigarros à mesa ao canto da mesa ao canto distância e penso em fugir digo que vou comprar cigarros digo que meu estômago explodiu digo que sou um idiota sigo a dizer imóvel louco permaneço quieto sorrio penso em como sou idiota digo o que não quero ouço o que não quero as palavras as palavras ouço ouço ouço o que não quero dói sou um idiota penso em como sou ao canto da mesa o maço de cigarros mil vozes em minha cabeça vou embora vou embora penso em como sou idiota eu não choro eu não choro eu não sinto eu não quero eu sorrio eu explico eu deformo eu não sei eu sou um idiota vou embora cigarros quantas vozes nenhuma naufrágio estou sentado em um banco de praça penso em como sou idiota vou embora preciso de uma aspirina vou embora penso em como sou idiota não me movo ///

Junho 25, 2009

Do amor idiota.

Arquivado em: TEXTOS — Renato Ciacci @ 4:10 am

/// Desvio o olhar à janela enquanto você mastiga mais um bocejo e as luzes de uma madrugada impossível atravessam nossos copos. Então o velho sonho se agita em descompasso e penso em mil maneiras de sair correndo sem ser percebido, mas continuo a revolver discursos, cálculos, fiascos, poemas escondidos sobre o patético, sobre os falsos dramas, sobre minhas velhas sombras, sobre como coça o meio da testa, sobre a forma com que une as sobrancelhas em um desenho infantil, um desenho infernal. E como se encolhe em sorrisos que rasgam o espírito. Jogos de promessas e a disposição dos corpos: um que flutua, outro que se arrasta; um que ri e o outro a desviar o olhar à janela enquanto você aperta mais um bocejinho, espremendo o queixo em uma trêmula tensão que acaba por se tornar o motivo de mais um verso manco do espetáculo mais triste do mundo. Mas rimos. Rimos e lá fora o céu em silêncio. E aqui dentro um crescendo de profusões catastróficas e o desencontro em desinteressantes harmônicos. Você com sua beleza a bocejar e eu a desviar olhares, a metralhar bobagens sobre o cenário. Você mais menina ao passar dos instantes, eu em profunda mutação nervosa, em uma espécie complexa de transfiguração que explode em uma imagem de monstro cada vez mais monstro, afundando-se no sofá, cada vez mais monstro, cada vez mais monstro. E todos os monstros teriam medo de mim, aquele que deflagrou o abismo, o mais feio e repulsivo dos monstros, o monstrinho de brinquedo esquecido ao canto do seu quarto. Não sou seu livro, não sou seu livro, mas te escrevo um poema e adeus. E enquanto percorro o caminho em regresso, penso em quebrar os vidros das janelas e enforcar o motorista. E enquanto percorro o caminho em regresso, fumo. E hoje o céu está claro, e hoje o céu está claro. Então fumo e brinco com uma maçã. Eu escrevo um texto, não é um texto, sobre a maçã, não é a maçã. Sigo adiante. Um rapaz se senta ao meu lado e mira o céu, uma moça cruza o espaço e mira o chão. Sei que foram feitos um para o outro. Mais um cigarro, minhas mãos não param de tremer. ///

Junho 19, 2009

Blues

Arquivado em: TEXTOS — Tiago Barreto @ 5:56 am

Seu braço esquerdo encostado no Trago encardido concentrado no Você me encontra e eu estou Bem Bem como se eu estevesse Como era mesmo? Eu negro você Você me parece Tango que queda na multidão Gritam refrigerados Rodando Rodando Poeira deslizante no lugar do Canto encardido correndo pela infinita Cheiro complemento Lago Nadando Oh, sim.

Junho 17, 2009

Epifania encardida

Arquivado em: TEXTOS — Tiago Barreto @ 5:33 pm

Glorioso estilingue. Gloriosa oração. Gloriosa chuva no Vale da Montanha. Gloriosos rochedos no centro da cidade. Chuva fina, alançante, calada. A única fala acontece quando nos tocamos. A pele grita. Claramente, ela olha para o lado. Claro é também o dia.

Esplendor ressecado perfumando ambiente cúmulo. Rosa que derrete na sombra. Na sombra, o proveta percebe que. Era o vento, dizia eu. Eu gostaria de dizer que. Ele requebra sobre as núvens, assiste o Infinito, chora no sossego, ri ao nascer do

Dia em que estávamos

Você se lembra, não é mesmo? Você se lembra. Chuva fina, alançante, calada. Claramente, ela olha para o lado. Claro é também o dia. Prateada, tomba a cabeça não-nascida. Não seria este o? Não seria este. Não seria. Não. Seria?

Fou sans roi.

Arquivado em: TEXTOS — Renato Ciacci @ 6:24 am

Hoje o silêncio explodiu, o velho sonho invadiu o quarto. De uma das pálpebras escapa ainda a imagem de uma puta que engole minhas cortinas, que ri, uma puta que ri, uma puta que engole minhas cortinas e que ri e segue rindo a engolir minhas cortinas rindo rindo rindo a puta engole minhas cortinas e lambe a luz atravessada à janela.

Hoje o poema morreu. Um gordo atravessa o céu em queda, o céu atravessa em queda um gordo. Silêncio,

hoje o silêncio explodiu.

Pimenta estranha.

Arquivado em: TEXTOS — Renato Ciacci @ 5:57 am

O homem vê a flor e chora.

Ei, você, menininha estranha, você, sim,

Arquivado em: TEXTOS — Renato Ciacci @ 5:54 am

você chora antes de dormir? Você quer um poema de brinquedo? Qual foi a mentira mais bonita que já contou? Onde está seu papai? Quer um doce? Um segredo? Está com medo? Quer dançar?

Ei, você, menininha estranha, como é ser de papel?

Junho 10, 2009

A Farsa

Arquivado em: TEXTOS — Renato Ciacci @ 5:07 pm

I

panorama em colapso o homem do nariz em frente à moça de vestido você não está com frio não não quer meu casaco não estou com frio é fim de tarde e o céu azul aos poucos se desbota em chumbo enquanto o homem do nariz dirige o olhar ao chão em um breve gesto de delicadeza contrária à própria imagem e a moça de vestido suspira um suspiro de desdém um suspiro tão triste tão triste ao homem do nariz que agora pensa em algo triste tão triste enquanto as luzes à distância se explodem com o cair da noite estranha

II

o que você quer me dizer eu não sei ao certo então o que viemos fazer aqui eu preciso dizer algo e a noite estranha ri do homem do nariz enquanto a moça de vestido cruza os braços em um um gesto simples rude e belo ao homem do nariz que sente o rosto arder contra o vento você pode me dizer o que quiser sim eu acho que posso acho que posso dizer o que quero mas eu não sei exatamente o que quero ao dizer qualquer coisa não seja idiota enquanto a moça de vestido sacoleja o corpo magro ao sinal do frio amargo que a desconcentra vamos lá diga o que quer dizer você está com frio já disse que não se estiver com frio quem sabe não possa vestir meu casaco não estou com frio seja rápido

III

o horizonte em convulsão e as gralhas loucas que mancham o silêncio que eu acho que te amo a noite dança e o vento alucinado sorri um sorriso em festa enquanto a moça de vestido mira com os olhos faiscantes toda a vergonha dobrada à sombra do homem do nariz não seja ridículo não seja ridículo não seja ridículo não seja ridículo não seja ridículo não seja ridículo não seja ridículo não seja ridículo não seja ridículo não seja ridículo não seja ridículo não seja ridículo não seja não seja não não não seja ridículo não seja ridículo não seja não não seja não seja não

IV

o poema a palavra o verso a palavra o abismo a palavra o riso o drama a palavra a palavra a palavra eu preciso de uma aspirina

Junho 9, 2009

Sono de Antão.

Arquivado em: TEXTOS — Tiago Barreto @ 9:48 pm

Era silêncio e desordem para se fechar os olhos e as cortinas eram flores & cabeças. Fecho minha cabeça, enquanto a cara…

Era um deserto e ouvíamos miragens, miríades, mirras, urros, ilhas. Sono contra o vento. Os pés deslisavam nas sandalias empoeiradas e cruzavam florais…

Era um sonho o que eu tocavana superfície dos olhos. Você já cruzou uma parede de escarradas? É bom, não é?! Sobre a cama, pratos empilhados. E vem a despedida, a despedida. A DESPIDA. Era uma estória cantarolada pelo porco que tirava ovelhas velhas da cartola.

A anotação se incendiou depois de tocar as mãos do Ente. A presença cósmica invadia toda a aldeia e, mirados ao longe por uma coruja, homens histéricos entravam em frenesi. Cagavam pelas ruas sangrando à dentadas dos outros. Dentadas nas latas, nos cães, nas rãs, nos prédios, nas merdas.

A viela atrofiada se esbarra no fim da avenida. Lá, a Serpete se ajoelha. Chacoalha no crânio seco, sibila pelo mundo. Escorre por entre as gretas e nascem em quartos.

Sêmen delicadamente recebido nos seios.

Olhar que espirra espasmos. Espreitada pelos caçadores, a Humanidade se contorce ao firmamento. É o ciclo natural da vida. Deixo que me morda na mão. Doces dentes delicados. Dedos de cristal. Incêndio.

Na rosa, um ninho. Deus nasce. É gira-sol! É gira-sol! Posso o ver requebrando nos jardins acompanhado de animais delicados e demônios paternais. Todos giram. As flores pulsam o Nascimento. Brilham as estrelas da manhã, brilham os olhos, retinem acidentes.

Esfinge enforcada na calçada.

Junho 5, 2009

Arquivado em: TEXTOS — Tiago Barreto @ 10:55 am

Questão para suscitar futuras pesquisas & meditações: como se transformar em crocodilo?

Junho 3, 2009

Arquivado em: TEXTOS — Tiago Barreto @ 8:51 pm

... e então, calado, o homem não pôde perder a oportunidade de se apresentar. Ele disse que

- Bem, é muito fácil comprar uma porção de, cof cof, urina, não é mesmo? Bem, você sabe onde eu poderia… tossir por aqui? Sim, é bem parecido com o implante que se pareceu com…

- Então você acha que é muito esperto, não é mesmo?! Oh sim, temos um esperto aqui, ENTÃO. E… eu não sei dizer se

- Isto não deveria ter uma hora. Uma hora marcada, digo. Não, não é que eu… não, não era isso.

- 1 – Pré-aqueça o forno na temperatura entre 180 a 200°C;

2 – Adicione 2kg de mistura de bolo Itaiquara e 800ml de leite na batedeira e misture na velocidade média durante 1 minuto;

3 – Adicione 12 ovos, ainda em velocidade média, em seguida, passe para velocidade alta e bata por mais 5 minutos;

4 – Despeje a massa em fôrmas untadas ou forradas com papel manteiga;

5 – Asse sem vapor durante 30 a 45 minutos, dependendo do tamanho do bolo.

- Eu gostaria de saber QUE HORAS ISSO VAI ACABAR. Você pode me encaminhar à alguém? Eu preciso mesmo. Se eu não precisasse eu não precisaria, he-he-he, né?!

- A senhora não deveria dizer isto a estas horas, senhora. A senhora poderia… senhora, a senhora poderia

Seu semblante de polvo.

Arquivado em: TEXTOS — Tiago Barreto @ 8:41 pm

Você olha para cima e vê a tormenta. Ela chega. Você correu até a porta e a viu, galopante, por toda a planície. Talvez algum tempo para respirar, talvez comer alguma coisa. Quarenta e três anos. As pedras continuam pedras e não são mais pedras. Você se parte em quinze partes e escorre ao lodo. As pernas foram para outro continente. Você sabe onde foram? Quando a mesa tremeu e você cerrou os olhos, toda aquela poeira acumulada por anos

Descalça os sapatos

Como quem compra veneno

Abre o cúmulo e encerra

Fraca, porta

Onde estão seus queixos?

Arquivado em: TEXTOS — Tiago Barreto @ 5:17 am

adiante, o grande círculo. o grande círculo. o grande círculo. este grande caldeirão de paz. eu nunca tive paz. nunca fui capaz de ter paz. nunca fui capaz de ter saúde. agora. agora. às vezes, essa onda abraça o corpo e, às vezes, o mar é mais do que essa brisa marítma. às vezes, eu corro da onda. eu corro da onda desde meu primeiro dia. o primeiro dia que não me lembro. este mar infinito de árvores, areia, pedra, terra, terra, água, ar, fogo, animais. esse mar revolto que entra pela boca e que lava. lava. esse mar de fogo. esse mar que me aterroriza a alma de criança medrosa. esse mar que não é o que. às vezes, eu olho o mar. às vezes, eu sou a poeira que, longe, suja pequenas poças de água. as mãos geladas. às vezes, não é. belo corcéu de vícios. corcéu glorioso que carrega até a próxima estação. um corpo entre outros. gloriosa companhia amarga. retiro na ilha dos mortos. este corcéu venturoso deixa seus pêlos grudados no estômago. eles entram, eles andam, eles são. às vezes, eu não quero ser um pêlo sujo na próxima estação. conversei com os homens da cidade, consultei aos grandes sábios. desse mundo que eu não quero mais. dessa beleza que eu não suporto mais. dessa onda torta que traga e leva aos que não têm cabelo. eu não suporto mais. eu não suporto. o mago na porta da cidade avisou os riscos que eu poderia correr. com escárnio, eu pareço inteligente. eu li muitos livros, não é mesmo? eu falo muito bem, não é mesmo? meu raciocínio é rápido e eu argumento muito bem. eu não. eu não quero mais. eu não posso. eu não suporto. eu ajoelho na frente deste homem velho. o maravilhoso ódio da criatura racional aponta. aponta e diz “fanático”. ódio. cães furiosos se despedaçando do lado de fora. cães de pêlos. eu não.

Junho 1, 2009

Arquivado em: TEXTOS — Tiago Barreto @ 7:20 am

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avisto-te.

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avistas-me.

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quem sobre-vive?

Em branco e preto.

Arquivado em: TEXTOS — Renato Ciacci @ 6:19 am

I

Olá,

II

você quer dançar?

III

Eu não danço.

Arquivado em: TEXTOS — Tiago Barreto @ 5:57 am

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eu sou você e você sabe disso. o jogo é arma e nós somos segredo. somos irmãos andando pela porta. cataclismo. naquele evento, onde todos pareciam peixes enforcados em coágulos, eu te vejo nos olhos. eu sinto nojo de você. ó, sim, eu sinto nojo de você. eu sinto nojo e amo. eu amo. eu amo esta frieira que se coloca em seu pé. eu amo. eu amo o lugar onde te vi deitada a receber os raios solares. você é alcool e eu sou carnificina. você pode ver o sol em meus olhos. eu posso ver o nu nos seus. o meu nu. o seu nu. nos encontramos, nus, nos olhos. nos olhos, um touro alado. ele conversa. conversa como todos nós. e todos nós, em nós, nos deparamos com o atalho. eu posso te ver. você passeia. vamos, braços dados, até a próxima estação. nos despedimos, uma vez mais. uma vez mais, você fala. muda. muda, você fala como se eu não pudesse mais tocar a superficie de seu rosto. somos um rosto. uma careta.

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me irrito com suas vozes. me irrito com seus amigos. com seu corpete, sua nuca, seu eunuco, seu sombreiro, sua voz. você entende. então você faz silêncio. agrada-me a idéia de que… eu ouço. eu ouço enquanto você fala. você fala sobre alguma coisa qualquer. alguma coisa qualquer coisa você fala. há, aí, um jeito a se enquadrar. torço você.  você nunca esperou nada diferente, não é verdade? – fim da linha como trilha do passado. atalho. em retalhos, você se abre. combustão.

#1

linha afogada em desassossego. você observa da esquina. gata. você é animal. você é animal e, como animal, ruidosereia. há medo trêmulo. eu nojo amor todos nós espasmo assim com complica o plano de não ter nenhum plano e nós planos começamos a olhar de soslaio uns para os outros como quem não tem mais o que olhar e por isso olha o espelho olha a lua olha os estetas e graciosamente se enforca inferno.

#1 – primeira parte

no caminho de volta para a casa, isso tudo. isso tudo e você parece não perecer. melhor assim. melhor ainda se fosse verdade. de verdades, eu e você nos. então, nós paramos para apreciar algo. não é nada de verdade. de verdade, nós. haviam subterrâneos do lado de dentro, haviam coisas pelo. você parecia perecer. eu apareço. a parede. aparece. você.

# 1 – (p)arte secreta

eu juro que escuto que você tem muito o que dizer e eu juro que dizer é de fato dizer pois todo este pacote, este pacote, este pacote. este pacote. este pacote é. é e não. eu não. eu não. você. alguma coisa que… você esquece… eu esqueço… golpeie, golpeie… abaixo, eu vejo. eu vejo. eu vejo você. eu vejo você acima. você é o baixo, o chulo, o podre, o feio, o morto, o morno.

# 2 – declaração

eu amo você.

#3 – interrogação

quem sabe?

Poesia e distância.

Arquivado em: TEXTOS — Renato Ciacci @ 5:55 am

Uma estória de mãospés&bundas concebida à sombra de um gracejo vulgar.
Uma estória de mãospés&bundas concebida à sombra de um gracejo.
Uma estória de mãospés&bundas concebida à sombra.
Uma estória de mãospés&bundas.
Uma estória.
Nenhuma.

Já tudo morre, tudo cala, já

Arquivado em: TEXTOS — Renato Ciacci @ 5:53 am

tudo morre, tudo cala. Em meio às ruínas do antigo lavatório, vemos a xícara de café, vemos a xicára, a xícara de café: des-con-tex-tu-a-li-za-da. Já tudo soma, tudo corre. Por sobre a escuridão galopante, a silenciosa e sacra expiação dos pecados de um homem. E é então que vemos os cadáveres que, os cadáveres. Os cadáveres que se elevam. Que se elevam por, que se elevam. Por sobre os mares. Por sobre as casas. Por sobre as casas. Casas, colinas, por sobre as florestas, por sobre as casas. Suspensos no ar que não mais prevê a queda. Que não mais prevê a queda. Em direção ao, ao universo. Em direção ao mínimo, ao universo mínimo em direção ao universo mínimo que um dia eu – - -

Prossiga.

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