de chá.
Ele me diz que o velho Buck está crucificado ao topo da escada – a navalha atravessada à garganta.
Rimos sem parar durante meio século, até que uma rapariga punk nos traga com bolinhos.
Eu,
Joyce and
his eyepatch:
O, Poop!
de chá.
Ele me diz que o velho Buck está crucificado ao topo da escada – a navalha atravessada à garganta.
Rimos sem parar durante meio século, até que uma rapariga punk nos traga com bolinhos.
Eu,
Joyce and
his eyepatch:
O, Poop!
Do período em que pululavam suas estigmas, Pim pouco tem a dizer. Lembra-se de um Cristo pendurado ao tabique, de um breve e pequeno lamento – ♪ ♫ ♪ _ _ ♪ – e das mãos magras da enfermeira. Mais nada.
Por entre as cortinas do quarto de dormir, Marie observa o jardim, o jardineiro e suas flores – não fossem orquídeas, seriam rosas, não fossem rosas, talvez margaridas, não margaridas, crisântemos, quem sabe, e não cristântemos, papoulas, não fossem gordas e quentes e mesmo extraordinárias papoulas, a relva úmida e fresca sob o sol da manhã.
– Bom dia, Srta. Marie! – gritará o oficial de polícia.
E Marie (esta Marie que é como a lua e como as estrelas e como o Inferno e como a vida e como a Torre do Mundo da Tempestade) acenará a sorrir mil graças.
Pim, dividido entre a cúbica raiz da razão e a simples e descompassada inequação da loucura, marcha morto ao céu do meio-dia que se explode. E virão os anjos. E virá o tempo em que virão os anjos. E virá o acaso transloucado em que virá o tempo dos anjos. E da maré em perpétuo refluxo *shulf-sss-shulf-SH-ulf-sh-ULFFF*.
– Bom dia, Srta. Marie! – aos berros, o leiteiro.
E Marie (esta Marie que é como a borboleta-de-fogo, a morsa-dentuça e a girafa-asiática) acenará a sorrir mil graças e mais mil, mil graças, mil e mil.
Do período em que ululava suas maldições, Pim nada haverá de dizer. Não restarão memórias. E Marie, puta por entre as putas, criará uma nova canção.
a coisa antiga está onde sempre esteve, outra vez. Como quando um homem, tendo por fim encontrado aquilo que procurava, uma mulher, por exemplo, ou um amigo, o perde, ou percebe o que é. E, contudo, é inútil não procurar, não desejar, pois, quando deixamos de procurar, começamos a encontrar, e quando deixamos de desejar, então a vida começa a enfiar-nos o peixe com batatas fritas pela goela abaixo até vomitarmos, e, depois, a enfiar-nos o vomitado pela goela abaixo, até vomitarmos o vomitado, e, depois, o vomitado vomitado, até que começamos a gostar. O glutão banido, o bêbado no deserto, o libertino na prisão, são eles os felizes. Ter fome, desejo, cada dia de novo, e cada dia em vão, do manjar antigo, da bebida antiga e das putas antigas, eis o que mais se aproxima da felicidade, o novo limiar e o derradeiro dos derradeiros jardins.
E a coisa antiga e os jardins, não importa o quê ou como são, sempre parecem exprimir a mesma nota, shhhhhhhhhhhh, e, depois dessas férias absolutas, o beberrão erra pelo deserto. Nas areias, procura encontrar um novo Sol. Caído nesses meio-lugares, tenta se desvencilhar da palavra, do ato, do pensamento, da necessidade, da pena, da alegria, da rapariga, do rapaz, do medo, da dúvida, do sarcasmo, do desejo, da esperança, do sorriso, da lágrima, do nome, da face, do tempo, do lugar… Parado, em meio à poeira, eu sou o homem desesperado de olhos ternos e desajeitados. Os passos, descompassados, procuram enegrecer todo esse turbilhão de afetos, de impetuosidades, de vontades e as cáries que parecem ir aos céus e voltar, em disparada, bicando meu pescoço até que eu caia para nunca mais exprimir um milímetro furado de vida. Vida. Quem pode falar qualquer coisa da vida? A felicidade, essa bebida antiga que traz o desesperado sabor de estar bem, faz com que o homem de passos descompassados, quase-bambos, se chafurde na areia do deserto escaldante. Eu sou o deserto. Deserto morno e sem miragens… Aqui, aqui dentro não há nenhum homem.
Como um torturador, mantenho os passos em direção ao corpo que se transfigura nas dunas. O ar, cálido, parece tão sorridente e tão doce que já não há mais joguetes por fazer. Joguetes daqueles em que nunca se pensa e que parecem mover alguma pena em alguma fração de segundos. Nasci neste lugar e, com o passar dos anos e dos pesares, fui sendo cara grão de areia que acolhe cada destes corpos de viajantes queimados pelo Sol. Falam de potências humanas, no poder da revelação, da iluminação, da criação, das focas que dançam com bolas de borracha fina cheias de ar, de casos em que há amores perdidos… E sempre se fala como se fosse possível pronunciar palavra. É como se não houvesse o deserto, as infinitas dunas, os animais que vivem no subsolo da areia quente e as pirâmides que nada dizem. Eu, que aprendi a escrever, a “escrever bem” como diria minha finada professora ginasial, sou este Sol escaldante… E não há nenhum homem a ser torrado por meus raios quase-solares.
Minto, eu sou o homem desfalecido na duna. Desfalecido, note bem. Eu quis dizer não-morto que, ainda assim, respira. Tenho dois olhos e, dentro em breve, os animais da superfície das areias poderão os devorar como ondas revoltas a um náufrago. O vento, que repete sempre a nota shhhhhhhhhhhhhhh, anuncia que não se pode falar em mar, em areia, em deserto. O vento, cá dentro, parece torcer com todas as paredes e rasgar minha espinha dorsal de modo que a Besta cresça e me engula para todo o sempre. Não, não é bem assim. Preciso de um pouco de ar para retomar o fôlego e terminar esta página, já que me pus a escrevê-la.
Eu, em algum momento da minha vida, da minha gloriosa, da minha grande, da minha fervilhanteestapafúrdiadescontroladainviávelparavocêquerespira, tive um cachorro. Esse cachorro, que não me lembro o nome, não vem ao caso. Talvez eu não deveria ter me prontificado a escrever esta página, talvez eu não deveria reclamar da vida ou dançar em bares onde putas velhas expõe suas vaginas flácidas, talvez eu devesse permanecer por aqui, impassível, anotando cada manobra que este imenso tanque-de-guerra opera ruidosamente. Shhhhhhhhhhhhhhhhhhh, diz o jardim.