Nas paragens do infinito, um pato passa;
Roubo-lhe o bico e as asas;
E de um porco, a graça
De criatura possível.
Amor, que merda é essa?
Os cavalos sobem pelas paredes do quarto de dormir. Vinagre à língua, veri amoris vis inextinguibilis. Os cavalos sobem pelas paredes do quarto de dormir.
Algo de mau me agita. Na janela, meio edifício banhado por esta luz violenta, solar, absurda. E é então que esta mão invisível me toca os pulsos, os olhos. E a vida passa por mim áspera, por sobre meu espírito surdo, dormente. Sinto-me terrivelmente vivo. O idiota nunca parte de si, jamais se abandona. Sou um idiota simples, ordinário. Meu tom é o tom da gente polida, sou muito bem educado, durmo pouco. Eu amo a ordem. E quando sonho, quando sonho é sempre o céu de chumbo, o pé cravado à areia e o mar revoltoso, à imagem do meu coração.
E os cavalos a subirem pelas paredes, os cavalos a subirem, a subirem, meus cavalos a subirem pelas paredes, pelas paredes do meu quarto de dormir, pelas paredes os cavalos a subirem, sobem, sobem, sobem e vão subindo, subindo. Em chamas, perfeitos, infinitos, os cavalos sobem pelas paredes do quarto de dormir.