Renato Ciacci e Tiago Barreto.

Julho 21, 2008

MatemÁtica.

Arquivado em: TEXTOS — Renato Ciacci @ 4:45 pm

Nas paragens do infinito, um pato passa;
Roubo-lhe o bico e as asas;
E de um porco, a graça
De criatura possível.

Amor, que merda é essa?

Os cavalos sobem pelas paredes do quarto de dormir. Vinagre à língua, veri amoris vis inextinguibilis. Os cavalos sobem pelas paredes do quarto de dormir.

Algo de mau me agita. Na janela, meio edifício banhado por esta luz violenta, solar, absurda. E é então que esta mão invisível me toca os pulsos, os olhos. E a vida passa por mim áspera, por sobre meu espírito surdo, dormente. Sinto-me terrivelmente vivo. O idiota nunca parte de si, jamais se abandona. Sou um idiota simples, ordinário. Meu tom é o tom da gente polida, sou muito bem educado, durmo pouco. Eu amo a ordem. E quando sonho, quando sonho é sempre o céu de chumbo, o pé cravado à areia e o mar revoltoso, à imagem do meu coração.

E os cavalos a subirem pelas paredes, os cavalos a subirem, a subirem, meus cavalos a subirem pelas paredes, pelas paredes do meu quarto de dormir, pelas paredes os cavalos a subirem, sobem, sobem, sobem e vão subindo, subindo. Em chamas, perfeitos, infinitos, os cavalos sobem pelas paredes do quarto de dormir.

Julho 15, 2008

Navalha.

Arquivado em: TEXTOS — Renato Ciacci @ 7:02 pm

“Sou violento. Há em mim qualquer coisa de monstro. Sou frio e mau. Pertenço à raça dos lunáticos, sou um gigante; não possuo espírito. Minhas mãos são podres, no lugar do crânio, uma rocha incandescente. Porcos reviram-me as tripas frias; no lugar do coração, esterco. Sou o mudo desespero das horas infernais, a assombrar o tempo dos homens, a morder estrelas. Eu não choro.”

Hello Kitty

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