O mundo acabou, pois não existem mais chapéus. O mundo acabou e com ele morreram Dante, Mozart e Van Gogh. Jaz Rimbaud na mais profundas das covas. E com ele os vermes, os versos e toda a vida. O mundo acabou, pois não há mais espaço; acabou por falta de dadaísmo, poesia e madeleines. Hoje o mundo acabou por ser imenso demais
O mundo acabou e continuamos a acabar. Sempre é fim e inícios não são mais que fins de estaticidades. Não há mais mulheres com cabelos bonitos.
“Deus está morto”. Nietzsche.
“Nietzsche está morto”. Deus.
“Fodam-se, novamente. Fodam-se, uma vez mais”. Dejaír.
Nada há mais e nada houve. Nada é o suficiente nem importate. Tudo é nada e nada é alguma coisa. – “Mas você quer, então, que tudo se foda?” – Se tudo for você, ou se você estiver em tudo, for parte de tudo, não me parece má coisa.
Ter fé o suficiente para que minha alma vá à algum Inferno Poderoso, a doer pela Eternidade. Ela foi encontrada! Quem? A infidelidade. Dela fizemos espadas, espátulas e somos felizes por isso.
Então tá tudo certo: Beckett, Ionesco e Paganini estão mortos. Nós também. Artaud, não. Ele está sendo masturbado em meio a ossos de índios. Eu estou morto, me suicidei há muito tempo. Jovens esquálidos desfilam com seus casacos de saudades de tempos que não viveram. Eu não desfilo. Eu rolo num Inferno peçonhento e peço para que não perguntem demais.
Traçando trópicos, homens demarcam eras demarcam homens demarcam o tempo. Mais um trópico. Trópico de Inexistência, trópico de possibilidades inesgotáveis que hão de esgotar a força vital do sujeito. Trópico de esvaziamento do sujeito, de multiplicação e mutilação. “Basta eu dizer meu nome para verem este corpo…”. Trópico de anulação, amordaçamento voluntário e vontades inflamadas, rolando pelo Vale de Agulhas. Olhos ávidos por cegueira.
Agora você me pede para falar sobre o fim de tudo? Se eu for o fim, como poderei falar assim de mim, de alguma coisa, de qualquer coisa? E quem mais foi o fim? E se formos o intervalo? Nunca se sabe, eu diria.
“…há devires que operam em silêncio, que são quase imperceptíveis” – A questão “o que você está se tornando?” é particularmente estúpida. Pois à medida que alguém se torna, o que ele se torna muda tanto quanto ele próprio.”.
São Cosme & São Damião (andando de caminhão).