despalavrando.wordpress.com | Renato Ciacci, Tiago Barreto.

janeiro 14, 2012

vinhos, verticalidades

Filed under: TEXTOS — Renato Ciacci @ 2:11 pm

vemos o protagonista
ele atravessa o espaço
nada faz sentido
nada tem importância

é como se monstros
embaixo da cama

dezembro 25, 2011

24/12/11 – manhã

Filed under: TEXTOS — Tiago Barreto @ 1:13 am

DA MINHA CAMA

Sentado aqui
Vejo o feriado
(é natal)
Chegar pela
Janela

Não se apressa
Nem pacienta

Vem

E só.

***

Eu não perdi minha garganta
Mas isso não significa
Que eu deva gritar o tempo todo
A rouquidão dos pensamentos
É quem devo curar

Silêncio
Assim eu canto
E peço, bem mansinho
A meu coração que me ensine
O segredo da ligação
Entre ele e minha mente.

***

ORAÇÃO

Quero ouvir o cantar
Dos quatro cantos
Nos quatro cantos
Quero ouvir e dançar
E seus encantos
Assim celebrar

Quero abrir o Olho
E a sabedoria
Pra dançar sem covardia
Pra dançar por toda a noite
E aflorar os dons da magia

Quero abrir o Ouvido
Pra ouvir a voz do Vento
E seu louvor infinito
Pra ouvir melhor os ensinamentos
Que vem além do grito
E do silêncio
E do gemido

Quero a pureza
E sinceridade que seus filhos têm
Quero essa certeza
Constante e pura
Forte, santo, limpo
Como a noite

Quando o dia a fura.

agosto 4, 2011

afluente

Filed under: TEXTOS — Renato Ciacci @ 2:25 pm

se soubéssemos daquela manhã
das nuvens peixes numa janela
dos vasos sangüíneos de um homem
dos mares espessos de um homem

julho 13, 2011

.

Filed under: TEXTOS — Renato Ciacci @ 3:00 pm

talvez a gente pudesse
subir até o edifício
subir até o edifício
subir até o edifício 

Luz.

Filed under: TEXTOS — Renato Ciacci @ 2:55 pm

Na parede de homens nus,
extintores.
Brancos, difusos,
homens na sala branca. 

julho 2, 2011

O Culto à Faca

Filed under: TEXTOS — Tiago Barreto @ 12:00 am

A faca
Sobre a noite
Fura e faz vasar
Grosso, espesso
O dia
Longo, indigesto
Em que
A faca
Cristal-óleo sobre
A tela
Do dia
Faz varar a noite
Cortina que irradia
A faca
Noite e dia
Erradica
O fio
Onde se anda
O fio
É que fica.

junho 21, 2011

Êsthe eh um Relathóryo de Segurânça. Thentarêmos avalyhar a dadydade do últhymo Ynspethôr et apresenthar uma Nóva Formulação do Factho.

Filed under: TEXTOS — Tiago Barreto @ 5:12 am

KLÁUSULA I

 
Relatório do último Inspetor Interno desta Corporação:

Uma semana:

“Possesso pelas páginas em branco de um passado não vivido, escrevo com fúria, de preto,  diretamente para a tela. Você lê.”

Três meses:

“A Couve Flor quase estourou.”

Quinze anos:

“Posso olhar da janela das uretras de um anão morto e, nelas, navego nas cataratas de seus Olhos Negros.”

 

 

Relatório atualizado, revisto & ampliado:

Em volta com os cães na varanda coberta de vidro – uma vista para as estrelas -, realizo a equação e, repetidas vezes refazendo os calculos, a conclusão se reafirma: os resultados são que a sua vida prática afeta o funcionamento da Organização e, assim, conforme verificamos anteriormente (inserir nota), concluímos que, uma vez mais, a Roda Girou e quem rodou foi você.

Partindo da premissa que toda coação resulta em um coágulo de sangue profundo na orbita ocular resulta em um atravancamento das catracas do subsetor 099-c2b, acoplamos a Este Relatório um pequeno aparelho de gestação a ser colocado por um de nossos Agentes Invisíveis no espécime que tiver contato com estes gráficos.

Filhotes horríveis poderão ser vistos aos montes ao término Desta Hora.

Aguardamos a Próxima Convocação.

 

KLÁUSULA II

 
A Grande Sombra não é nada mais que uma associação de pessoas em prol do fim do desmatamento gerado nas últimas décadas e, por simbiose (inserir nota), se responsabiliza pelo

 

Plano Nardoni de Desenvolvimento,

 

que consiste em formular uma nova, ou melhor, operar um processo de purificação na raça humana.

Seu projeto consiste em jogar todo e qualquer habitante humano do planeta do topo de edifícios. Quem voar vive. Estes se reproduzem e, voilà, themos ahi uma Nóva Raça.

A Grande Sombra não é passível de explicação a menos por meios sensivelmente perceptíveis que não a assim chamada consciência ordinária. Em outros termos, é necessário desenvolver um sentido que, embora existente, permaneça como morto ou mito do tesouro perdido, em nossa civilização. Tal sentido não é outro senão o assim chamado Sentido d’A Corporação e habita entre o pescoço e a clavícula esquerda. Seu desenvolvimento implica no hiperaperfeiçoamento dos outros e, mais, na captação de Antigas Vozes para o ordenamento pleno e em sincronia com os Elementos destes.

“O exercício pleno dos sentidos se dá no processo de carburação de Ohxi.” – Mahatma Gandhi.

O Novo Projeto há de consistir em uma Marcha pela Liberação & Uso Indiscriminado et Obrigatório d’O Mesmo.

Encerro por aqui e me deixo a obrigação de enviar em breve (inserir nota) mais notas à Organização.

O Inspetor.

junho 16, 2011

Bilhetinho de amor.

Filed under: TEXTOS — Renato Ciacci @ 3:42 pm

“Cadáver de borboleta / ainda aérea, ainda / borboletas percorrem / seu corpo. Nenhum mistério.”

Traço.

Filed under: TEXTOS — Renato Ciacci @ 3:41 pm

sufocantes primeiras flores loucos nas bancas de jornal nos hospitais e morrem ratos mortos que não sabem nadar sufocantes primeiras flores

&

Filed under: TEXTOS — Renato Ciacci @ 3:38 pm

Estamos dentro da casa. A casa é grande. Tem um monstro na cozinha.

maio 21, 2011

Atenta à Tenda

Filed under: TEXTOS — Tiago Barreto @ 6:27 pm

(Delírios com a mão esquerda na casa do Vinícius)

Você colocou a tenda pros ratos
Ou os ratos colocaram a tenda
Pra se protegerem de você
Ou você colocou a tenda
Por dentro dos ratos
Eles botaram tenda em você
Ou você colocou a tenda
Por cima de você
Pra se proteger dos ratos
Ou a tenda colocou os ratos
Por cima de você
E você colocou a tenda
Por cima dos ratos

Os ratos por baixo da tenda
Com você.

maio 16, 2011

Poema escuro.

Filed under: TEXTOS — Renato Ciacci @ 6:14 pm

o poema dos olhos de vidro
por sobre a mesa
derrama-se o poema
por dentro do escuro

estranhamente gravatas
delicadamente insetos
pousam por sobre o poema
engavetado

secretamente aeronaves
invariavelmente sonhos
atravessam o homem
refletido

a quantidade de solidão no mundo
a qualidade de certas flores
o avesso do poema
inexistente

o poema dos olhos de vidro
por sobre a mesa
derrama-se o poema
dos olhos de vidro

maio 12, 2011

Ah, Terra. Dor?!

Filed under: TEXTOS — Tiago Barreto @ 7:57 pm

Aterrador

A terra, dor

À Terra, dor

Aterra, dor

A ter a dor

Aterrador

el cru el

Filed under: TEXTOS — Tiago Barreto @ 7:46 pm

Sou cruel na medida em que

Sou cruel na medida em que sou

Sou cruel na medida em que sou cruel

Sou cruel na medida em que sou

Sou cruel na medida em que

Sou cruel na medida.

maio 10, 2011

escuta

Filed under: TEXTOS — Renato Ciacci @ 8:04 pm

eu acho que a gente devia
pegar todo mundo de surpresa
arrumar a mesa
e queimar tudo

aí você falava que era tudo mentira
eu gritava o seu nome e você
gritava o meu
e o escuro

por detrás

maio 9, 2011

Corta.

Filed under: TEXTOS — Renato Ciacci @ 8:18 pm

um trago forte
eu subo
despencando
“use o assento para flutuar”

e flutuo

com a mão esquerda – 1

Filed under: TEXTOS — Tiago Barreto @ 8:46 am

Depois de tapar os olhos me deixo reconfortar as vistas no escuro e, tirando do bolso um pedaço de pano, faço-me cego por três semanas. E três semanas foi o suficiente para que minhas vistas pudessem ver que jamais deveriam conhecer a luz. Agora, arrastado pela força da cidade, cato piolhos de porcos e os atiro em bacias. Bacias d’água que mulheres usam para lavar a buceta quando por aqui passam e instalam suas doenças pelos ares. E foi no escuro que tombaram os olhos do assassino sobre o corpo mole recém-nascido afogado na bacia podre. Ajeita as calças, calça as botas, coça as bolas e some pela madrugada. Quem pode reconhecer seu rosto no espelho?

maio 3, 2011

Quem?

Filed under: TEXTOS — Renato Ciacci @ 9:38 pm

tem um porteiro no escuro, tem um muro,
uma velha, um rato
tem um poste no final da rua
tem a lua

violeta

Lázaro.

Filed under: TEXTOS — Renato Ciacci @ 9:30 pm

olha o ovo em cima da pia
espia
tem um caco de vidro no chão
tem um pedaço de pão
embaixo da mesa
eu não tenho muita certeza
do que eu tô fazendo aqui

você quer um pouco d’água?
entra aqui
escuta
eu quero te propor um negócio:

vamos matar alguém?

Tem uma formiga no meu café.

Filed under: TEXTOS — Renato Ciacci @ 9:20 pm

“shhh, olha a cobra!”
cospe nela mata ela some daqui eu tô indo embora

corte seco ouvimos os sonhos da vizinha rádio-relógio interferência:

“ela vai morrer”
são oito da manhã a rua tá deserta ela ainda não morreu

atravessamos uma avenida repleta de dinos-
-sauros:

tá! TÁ! TÁ!!!

recorte as beiradas, molhe o dedo aqui
tem sangue por todos os lados

não se mova

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